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O mar estava enfurecido. O mar da Galiléia. O vento era forte e sinistro. O barco parecia uma casca de nós dançando sobre as ondas. E Jesus dormia. Na popa da pequena embarcação. Como se nada daquilo fosse com ele. Até que os discípulos, cheios de pavor, o acordaram: “Senhor, salva-nos, que perecemos”.
Então ele abriu os olhos e sem se mexer repreendeu-os brandamente: - Porque temeis homens de pequena fé? Depois levantou-se e repreendeu os ventos e o mar. E houve bonança. Estranho: Por que dormia Jesus num momento tão impróprio, indiferente as dificuldades do momento? E se tinha poder para dominar a tormenta por que não o fizera antes, poupando aos discípulos todo aquele pânico?
Simplesmente porque desejara dar-lhes uma lição objetiva. Lição pela imagem. Pois é na tempestade que se faz o homem do mar . Marinheiro deve ter não só a pele mas a alma curtida pela natureza bravia. Ninguém se torna forte senão a poder de muita luta. Cristo armou todo aquele cenário de violência para isso. Primeiro aconteceu o medo; depois a fé, que dominou o medo. Eles tiveram medo. Medo de afundar. Era natural que o tivessem. Ninguém quer morrer, nem mesmo um pescador familiarizado com as ondas do mar.
Eles eram corajosos, do que deram provas mais de uma vez. Mas naquela hora sentiram a morte muito perto. Com o mar não se brinca, ele é traiçoeiro. Nem sempre o medo é mau. Sem ele o homem não se previniria contra o perigo. O medo atua como instinto de conservação. Como um cinto de segurança. Mas para vencer as dificuldades, precisamos mais do que medo.
Que será? A fé. Fé é segurança. Não há medo onde existe a fé: “Por que temeis homens de pequena fé? Mas a fé em alguém. Foi preciso que o mar quase os engolisse para que os discípulos se esquecessem de si mesmos e se lembrassem de Jesus. Como poderiam confiar em si mesmos se eram quase náufragos?
Mas Cristo estava no barco. Dormindo. Dormindo? Não. Deus não dorme nunca, ainda que às vezes pareça ter os olhos fechados. Para que o barco fosse ao fundo seria preciso que Jesus também fosse. Mas Jesus não afunda. Nunca.
Pr. Rubens Lopes
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